O Leitor

 

 

 

No âmbito da Unidade de Formação CLC_7 o formador Pedro Fonseca nos propôs para trabalho dos quatro DRs, a leitura do livro o Leitor (autor Bernhard Schlink)., a fim de reflectirmos sobre essa obra muito descritiva, mas interessante. Obra que já foi adaptada ao cinema, cujo filme ainda não vi. Estou a gostar de ler o livro, que é dividido em três partes:

 

    Na primeira parte do livro, Michael regressa ao passado e recorda-se como tudo começou, do romance entre ele, e a Hanna: Michael tinha quinze anos, e Hanna trinta e seis anos. Do primeiro encontro ocasional, nasce uma paixão que se divide entre momentos de leitura, onde Michael lê seus clássicos favoritos para Hanna, e a descoberta do sexo para Michael.

Apesar de não haver abuso sexual, Michael fica marcado, não consegue se envolver de verdade com nenhuma mulher, depois de Hanna desaparecer da sua vida sem deixar rasto.

      Na segunda parte do livro Michael reencontra Hanna no tribunal, novamente um encontro ocasional (Michael é estudante de direito e participa de um julgamento contra criminosos do regime nazi), mas de forma diferente, a mulher que ele conhecera, era bela, sensual, sedutora e autoritária, agora a mesma está perante o Juízo, totalmente diferente, está perante uma situação que para Hanna era a resignação, de um crime que não cometera.

      Michael fica chocado em ver sua Hanna na cadeira de réus, e acompanha o caso. Michael descobre parte do  passado de Hanna no tribunal. Uma ex-guarda de campos de concentração nazi, a ser julgada, acusada do assassinato de inúmeras mulheres judias, enclausuradas em uma igreja em chamas.

     De acordo com a acusação, Hanna seria a líder do grupo de oficiais femininas que estavam sendo julgadas, e teria sido por sua ordem, apresentada através de um documento supostamente assinado por ela, que a Igreja onde estavam as prisioneiras, foi mantida trancada, estando em chamas, a garantir que as mesmas não fugissem, para não haver um descontrolo da situação, um ataque às guardas. Perplexo em saber que Hanna prefere ser julgada e condenada do que revelar o seu segredo. Porque razão Hanna deixou que a situação tomasse um rumo prejudicial para si? Tudo para não revelar o maior segredo da sua vida. Michael sabia que Hanna não assinara aquele documento, pois era analfabeta. Michael manteve-se como espectador. Será que poderia tornar-se participante naquele processo? Afinal ele tinha em seu poder informações que poderiam alterar a decisão final do julgamento. Porque não o fizera? Será que o segredo de ambos (a sua relação no passado), seria ainda mais prejudicial para Hanna naquele momento?

Por Hanna não revelar o seu segredo, recebeu a pior da sentença entre as demais acusadas. Para Hanna era uma vergonha ser analfabeta, e para a Alemanha era vergonhoso? Na década de sessenta, talvez sim, talvez não. Mas na década dos anos quarenta sim era uma vergonha! Mas assassinar outras raças, consideradas inferiores para os nazis não era um acto vergonhoso, mas sim um acto de limpeza. Porque os nazis consideravam-se uma raça superior, a mentalidade dos nazis era virada só para o seu mundo, os seus valores e as suas visões do mundo eram totalmente diferentes das outras raças. E Hanna inconscientemente fez parte desse grupo, quando foi guarda de campos de concentração nazi, pois ela pensava que eram criminosos. Vamos nos por na pele de Hanna, será que agiríamos de forma diferente?

 

Sobre a terceira parte do livro ainda não posso fazer nenhum comentário, infelizmente ainda não li.

 

 

publicado por ginger às 13:58 | comentar | favorito